Nesta semana a gigante dos brinquedos americana Toys ‘R’ Us entrou com pedido de falência na justiça norte-americana. Por que isso me chamou tanto a atenção?

Para quem não conhece a Toys ‘R’ Us, talvez possa buscar na memória o filme Um Herói de Brinquedo. Lembro quão marcante foi assistir ao filme – ainda no século passado –, e o encantamento de ver uma loja imensa “só” de brinquedos.

A Toys ‘R’ Us possui mais de 1600 lojas físicas nos EUA, comercializando qualquer tipo de brinquedo/fantasia/carrinho de bebê imaginável. Como pai de dois, já visitei algumas dezenas de lojas: seja para uma encomenda específica ou comprar alguma coisa de última hora (brinquedinhos de lembrança ou carrinhos de bebês, emergencialmente).

Pude ver com meus próprios olhos entre 2009 e 2012 o que foi a crise/recessão na economia norte-americana. Lembro de passar de carro em frente a comércios ‘clássicos’ do Vale do Silício e observar vários estabelecimentos fechados, com folhas de sulfite impressas pregadas na porta de vidro e recados do tipo: “Fechados por tempo indeterminado. Motivo: crise”.

A Toys ‘R’ Us não era uma dessas, jamais foi.

Agora isso, em pleno 2017, diante de uma economia americana não apenas recuperada, mas acelerada. Dados da indústria americana de brinquedos mostram inclusive que houve crescimento de 5% do mercado em 2016. Um mercado de 20 bilhões de dólares crescendo 5%! O que aconteceu?

A Toys ‘R’ Us subestimou o futuro. Subestimou a “Evolução Digital”. Atualmente, com algo próximo de 40% das compras de datas festivas americanas sendo realizadas digitalmente, há sentido em manter uma loja do tamanho de um quarteirão, com dezenas de funcionários apenas para manter as luzes acesas e explicar a diferença do Buzz Lightyear e do Woody para os vovôs e vovós desavisados? Quais os custos financeiros e logísticos de se manter milhares de itens únicos em centenas de estoques físicos? Qual o valor percebido disso, nestes dias de hiperconexão?

Em tempos de recessão, quem tem gordura emagrece; quem está magro, desaparece. Se os gigantes estão caindo, podemos nos dar o luxo de apenas abrirmos as portas e esperarmos o cliente entrar com um problema já identificado, falando “quero um desse e outro daquele”?

Precisamos abraçar o novo e o digital agora. Em breve, esta será a única maneira de sobrevivência.

Stéfano Schotten

Diretor Geral da AMTI

Categories:

Comments are closed