Máquinas que conversam entre si já são, há algum tempo, uma realidade do nosso cotidiano. Às vezes nem percebemos que elas estão se comunicando. É um fato, porém, que esse movimento não tem mais retorno: daqui para a frente, cada vez mais, a internet das coisas (Internet of Things, IoT) será incorporada aos mais diversos dispositivos.

IoT é o nome dado à ideia de conectar equipamentos remotos e estabelecer uma comunicação entre eles e os sistemas de gerenciamento centralizados. Assim, as máquinas ganham uma certa autonomia para fazer tarefas que antes dependiam de interferência humana.

No segmento de data centers, os impactos da internet das coisas devem promover algumas transformações. Desde 2014, a consultoria Gartner acompanha a importância dessa tecnologia e a dimensão que ela tem adquirido. Uma pesquisa feita pela empresa já indicava, na época, que, até 2020, haverá 26 bilhões de unidades instaladas com geração de receitas superior a US$ 300 bilhões — a maior parte delas em serviços. E os dados provenientes deles terão de ser recolhidos e analisados.

Nesse processo, os data centers estão mudando muito: da forma como são desenvolvidos e implantados ao modo como são protegidos e gerenciados. Isso porque os fluxos de dados e a necessidade de respostas estão sendo adaptados para melhorar o processo de tomada de decisões.

A explicação para esses fenômenos é simples: as implantações de IoT produzem grandes quantidades de dados — o volume deve chegar próximo dos zettabytes (sextilhões de bytes) até 2020. Essas informações têm de ser processadas e analisadas em tempo real, o que aumenta a carga de trabalho dos data centers.

Será preciso, portanto, se planejar e desenhar um plano de expansão que seja capaz de equilibrar esse volume de trabalho. E não é só isso! Confira, a seguir, 9 impactos da IoT nessa área:

1. Arquitetura

O grande volume de dados que vem por aí deve estabelecer novos paradigmas e desafios para as equipes de Tecnologia da Informação (TI). Como não é estática, a IoT muda quase completamente a arquitetura de armazenamento, o que exige novas tecnologias para a leitura dos dados.

A equipe de TI vai precisar, portanto, gerenciar todo o ambiente como um sistema homogêneo. Ao mesmo tempo, terá de monitorar e controlar localidades individuais, fazer backup de todo esse volume de dados e buscar soluções para as limitações da rede e do armazenamento remoto.

É fundamental, ainda, otimizar o tráfego de informações para que flua da maneira mais eficiente possível. Se bem executado, o projeto certamente trará muitos benefícios ao negócio.

2. Dimensionamento

Em geral, os data centers suportam grande tráfego de saída de dados — já que a maioria dos dispositivos externos atuais consome dados. Com a IoT, a maior parte do fluxo de informações está na entrada do sistema: o montante de dados produzido deve ser recebido e armazenado para, em seguida, ser analisado e enfim fornecer informações relevantes para o cliente.

3. Segurança

Os desafios de segurança serão cada vez maiores, mais complexos e mais presentes. O número crescente de dispositivos conectados implica mais preocupação com a sua integridade. Com a IoT, qualquer equipamento pode literalmente ser uma porta de entrada para hackers — até uma inocente impressora ou as pouco ativas máquinas de refrigerante, guloseimas ou café.

As responsáveis por isso são a digitalização e a automação crescentes dos milhares de aparelhos funcionando nas mais diferentes áreas. Por esse motivo, as conexões entre eles e o centro de dados devem ser confiáveis por todo o percurso, de ponta a ponta. Os data centers terão de absorver essa necessidade e garantir que os processos continuem seguros.

4. Armazenamento

O armazenamento de dados tem crescido constantemente tanto do lado dos consumidores quanto das empresas. Com a IoT, a quantidade de dispositivos conectados será ainda maior e, por isso, a demanda será mais alta já que a avalanche de informações vai aumentar proporcionalmente.

Isso tudo será consequência do uso constante de apps e do aprendizado dos dispositivos sobre os consumidores e seus hábitos. E esses dados terão de ser processados e administrados em tempo real. Imagine, então, um data center fazendo o backup de todo esse volume de dados. Será um desafio e tanto!

Em termos de custos, não é viável guardar toda essa informação. Será necessário, portanto, decidir o que é essencial e deve ser mantido. Ou seja, além de cuidar da capacidade de armazenamento, é preciso avaliar se a organização é capaz de coletar e usar os dados vindos da IoT de forma efetiva em termos financeiros.

Esse cenário levará a uma necessidade de espaço de armazenamento cada vez maior e essa será uma das maiores despesas dos data centers.

5. Flexibilidade e escala

A flexibilidade para se expandir e, assim, atender à demanda da clientela é uma das maiores qualidades que um data center pode ter. Afinal, atualmente, os consumidores podem precisar de mais ou menos espaço a qualquer momento, de acordo com ações, campanhas, sazonalidade, dispositivos conectados e outros.

6. Tempo de resposta

Vivemos a era do imediatismo, e o transporte de dados em tempo real dá a tônica da IoT, já que muitos dispositivos vão depender dele. Por esse motivo, o tempo de resposta deve ser o menor possível a fim de diminuir a latência no processo.

Ninguém vai querer esperar para obter as informações de que precisa. A estrutura do data center precisa acompanhar essa necessidade e se modernizar de acordo com o fluxo de dados.

7. Privacidade

Informações pessoais vindas dos mais diferentes dispositivos podem ser uma oportunidade de violação da privacidade dos indivíduos. Ao mesmo tempo que a informação produzida pelos aparelhos conectados pela IoT serve para oferecer serviços mais personalizados, seu mau uso pode ser bastante prejudicial.

Assim, é importante que o data center se certifique de que a segurança está ativa desde a coleta dos dados para que dados sensíveis e privados não corram riscos desnecessários.

8. Rede

As redes Wide Area Network (WAN) dos data centers são dimensionadas para necessidades moderadas, aquelas que advêm das interações humanas com os dispositivos. Como a IoT traz consigo grandes volumes de dados para serem processados pelo sistema, surge a necessidade de maior capacidade já na sua entrada.

9. Dados variáveis

Na IoT, os tipos de dados recolhidos são imprevisíveis já que vêm dos mais diferentes equipamentos. A frequência e a quantidade deles também. Para atender a essa necessidade, é preciso estar preparado para se adaptar sempre que necessário, já que as mudanças serão constantes.

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